O glaucoma constitui a segunda causa de cegueira no mundo, depois da catarata, e a primeira de caráter irreversível. Não é um processo patológico único, mas sim um conjunto de doenças cuja principal característica é a elevação da pressão intraocular (PIO). Esta é a pressão exercida pelos fluidos que se encontram dentro do olho sobre as paredes do mesmo.

Pode haver a intervenção de outros fatores, além da PIO, mas este é o único fator que pode ser modificado para deter a doença.

Quando o glaucoma não é tratado, pode ocasionar danos irreversíveis ao nervo ótico, resultando em cegueira total ou parcial.

O Glaucoma de Ângulo Aberto é, juntamente com o Glaucoma de Ângulo Fechado, um dos dois tipos de glaucoma mais frequentes.

Apresenta-se com mais frequência em pessoas com mais de 40 anos. Duas em cada 100 pessoas nesta faixa etária têm a visão ameaçada por esta doença. Acima de 60 anos de idade, são quatro em cada 100 pessoas.

Esta doença geralmente não apresenta sintomas. É causada pela obstrução do sistema de saída do humor aquoso, formado por uma espécie de “ralo” localizado no ângulo entre a córnea e a íris.

O olho normal tem uma determinada pressão intraocular. Se a pressão intraocular é alta demais (mais de 21 mmHg), a pressão exercida nas paredes do olho pode danificar o nervo ótico, que é o nervo sensitivo que transmite as imagens ao cérebro.

Esse dano causa manchas cegas na área da visão. Muito raramente, as pessoas notam essas manchas cegas até que haja um dano considerável no nervo.

Felizmente, isto dificilmente ocorre se o diagnóstico de glaucoma for feito a tempo e tratado adequadamente. A chave para prevenir o dano ao nervo e a possível cegueira é o diagnóstico e o tratamento precoces do glaucoma. Muitos médicos fazem os estudos como parte de um exame de rotina. O oftalmologista é o médico que está treinado especificamente para fazer este exame e tratar esta condição.

O bloqueio da saída do líquido acontece porque a malha trabecular (que é um minúsculo “ralo” pelo qual vai saindo o líquido) vai se fechando devido ao depósito de substâncias ao longo do tempo, impedindo a adequada saída do líquido do olho, chamado “humor aquoso”.

O glaucoma de ângulo aberto pode ir diminuindo a visão de forma tão paulatina que o paciente não percebe que o seu nervo ótico está em perigo. Como não apresenta sintomas, a melhor forma de diagnosticar este tipo de glaucoma é por exame ocular, incluindo a medição da pressão ocular.

Usando um instrumento chamado oftalmoscópio, ou uma pequena lupa como complemento do exame ao microscópio, o oftalmologista pode observar o aspecto do nervo ótico e ter uma ideia do dano causado pela pressão.

Também pode ser necessário medir a pressão várias vezes ao dia, devido ao fato de que a pressão não costuma ser a mesma ao longo do dia. A Curva Diária de Pressão tem como princípio detectar estas variações.

Além disso, deverá ser feito um exame da área total da visão que nos permita detectar as perdas setoriais de visão causadas pelo glaucoma. Este exame se chama Campo Visual e é realizado com um sistema computadorizado que detecta as lesões mais recentes.

Normalmente, o glaucoma é controlável através da instilação de gotas nos olhos (colírios). Os colírios, por sua vez, podem ser combinados entre si, potencializando o seu efeito. Estes medicamentos agem para reduzir a pressão ocular, seja diminuindo a produção de humor aquoso ou aumentando a saída do mesmo. Para que esta medicação seja eficaz, deve ser feita de forma regular e contínua. Os pacientes com qualquer tipo de glaucoma precisam de exames periódicos.

Quando o tratamento com colírios não é suficiente, pode ser necessário utilizar laser ou cirurgia. 

O glaucoma pode piorar ou melhorar sem que o paciente perceba e, portanto, somente o oftalmologista pode notar e modificar o tratamento.

O Glaucoma de Ângulo Fechado (agudo) ocorre quando a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada porque a íris fechou o ângulo em uma pessoa predisposta. Isto provoca uma elevação rápida, severa e dolorosa na pressão dentro do olho (pressão intraocular).

O glaucoma de ângulo fechado é uma situação de emergência e difere muito do glaucoma de ângulo aberto, que danifica a visão de forma lenta e indolor.

Há pessoas que têm risco de glaucoma agudo. São aquelas que têm um ângulo estreito entre a íris e a córnea. Esta condição pode ser detectada no exame oftalmológico. Um tratamento preventivo com laser pode, em alguns casos, afastar o risco de fechamento.

Se você teve glaucoma agudo em um olho, tem um risco ELEVADO de um ataque agudo no segundo olho. O seu oftalmologista certamente realizará nesse olho o tratamento preventivo, caso ainda não tenha sido feito.

Os colírios para dilatar os olhos e certos medicamentos podem desencadear um ataque de glaucoma agudo.

O Glaucoma Congênito está presente ao nascer e resulta do desenvolvimento anormal dos canais coletores de líquido no olho. A avaliação destas crianças é muito diferente daquela realizada para o glaucoma do adulto.

O Glaucoma Secundário é causado por doenças oculares como a uveíte, doenças gerais como a diabetes, ou por medicamentos como os corticosteroides.

Estes últimos glaucomas têm características diferentes dos mencionados anteriormente e a forma de tratamento também pode apresentar diferenças. 

Para o glaucoma em geral, é muito importante como medida de prevenção:

Realizar controles oftalmológicos periódicos (bianuais até os 40 anos, anuais a partir dessa idade).

Se você tiver antecedentes familiares diretos de glaucoma, relate ao seu oftalmologista/serviço de saúde.

Consulte-os imediatamente caso detecte em sua visão algo compatível com o que é mencionado no texto acima.

Se o oftalmologista disser que você tem suspeita de glaucoma, siga todas as indicações que ele der, sabendo que o processo de diagnóstico é longo e é muito importante não descontinuar o estudo.